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October, 2007 Goth01.O que significa a palavra Gótico? A palavra Gótico já teve inúmeros significados nos últimos 2000 anos, alguns destes significados relacionados entre si, outros não. Neste FAQ estamos abordando apenas a Sub-Cultura urbana que surgiu na Inglaterra no comeÁo dos anos 1980 e se desenvolveu e se espalhou pelo mundo todo atÈ hoje. 02.Por que essa Sub-Cultura recebeu o nome Gótico? Na passagem dos anos 70 para os anos 80 este rotulo foi usado inicialmente como adjetivo, ironia ou brincadeira para definir um estilo (música, visual, comportamento) que surgiu na Inglaterra. Após 1983 o nome pegou completamente, e denomina atÈ hoje a Sub-Cultura mundial que aÌ se originou. 03. Mas o Nome Gótico não foi dado por causa daqueles bárbaros (Goticos, Visigoticos, Ostrogoticos, etc) que invadiram o ImpÈrio Romano nos sÈculos IV e V? Não. Ao longo dos sÈculos as palavras Goth e Gothic, em Inglês, desenvolveram vários outros significados. 04. Já sei: Então o nome Gótico foi dado a esse movimento por causa das catedrais Góticas do sÈculo XI a XIV? Não diretamente. Nem essas catedrais eram chamadas de Goticas quando foram construÌdas. Elas foram chamadas de “Góticas” muito tempo depois, pelos Renascentistas e Iluministas, pejorativamente, para criticar a Ideologia Católica da Idade MÈdia, a qual se opunham. 05. Então as Catedrais Góticas não foram construÌdas pelos Godos (Goticos)? Não. Elas foram contruÌdas muitos séculos depois que os Godos já tinham se diluÌdo na cultura Européia. Essas catedrais expressam a ideologia e estÈtica da Igreja Católica na Época. 06. Qual o significado de “Goth ” em Inglês ? O adjetivo “Goth ” em Inglês carrega sentidos que lembram: vitoriano, sombrio, misterioso, fantasmal, onÌrico, macabro, amedrontador, etc. 07. Então tudo que È vitoriano, sombrio, misterioso, fantasmal, onÌrico, etc. È Gótico ? Sim, mas não no sentido exato que foi usado para designar o movimento estÈtico e a Sub-cultura que surgiu em 1980. Lembre-se que o uso foi metafórico e tambÈm irÙnico. 08. Como a palavra Goth adquiriu este sentido em Inglês? No sÈculo XVIII para o XIX existiu um movimento literário chamado Romantismo e outro chamado Romance Gótico que estabeleceram a imagem de Gótico como sombrio, fantasmagórico, misterioso. 09. Isso aconteceu por que as Catedrais Góticas são Sombrias? As catedrais góticas não são Sombrias. Arquitetonicamente, elas são caracterizadas por grandes janelas cobertas de vitrais coloridos. As paredes se resumem quase que a molduras das janelas. A estrutura geral È leve. 10. Por que diabos elas foram então chamadas de “Góticas“? Pela “Oposição” dos movimentos filosóficos e artÌsticos que vieram depois, para critica-las. 11 . Então por que os Românticos usaram “Gótico” como algo bom ? Por que já tinha se passado mais de um sÈculo, e os Românticos resolveram criticar aqueles que tinham criticado o fim da Idade MÈdia. Assim, o que era um nome pejorativo passou a ser o nome ‘legal” de uma estÈtica. 12. Caraca! Isso tudo influenciou o movimento que surgiu nos anos 1980? Não diretamente. Ainda estamos falando do sentido da palavra. Muitas coisas influenciaram tambÈm. Existem as influências diretas, as influências do contexto, as referências indiretas, a reapropriação de conceitos... 13. Quais são as influências diretas? Musicalmente, vamos considerar influências diretas aquelas desde meados dos anos 60 em diante. Levando em conta os estilos musicais e entrevistas podemos citar os movimentos: o Krautrock, o Glam, o Proto-Punk, e o Beat. Entre os artistas que influenciaram diretamente, de 1965 a 1975 temos: David Bowie, Nico, Velvet Underground, The Doors, Lou Reed, Iggy Pop & The Stooges, John Cale, Roxy Music, Brian Eno, Cabaret Voltaire, Patty Smith, T-Rex, New York Dolls, Kraftwerk, Throbbing Gristle, Pere Ubu, Suicide, Leonard Cohen, Johnny Cash, etc. 14. Mas o Gotico È apenas um estilo Músical? Não. … uma Sub-Cultura completa. Sem dúvida a música È um eixo importante. Mas, como em qualquer Cultura, outros elementos são constituintes tambÈm. 15. O que éuma Sub-Cultura? … uma cultura paralela a Cultura oficial, que não combate a cultura oficial, mas tambem não a aceita. Uma Sub-Cultura busca construir um universo a parte, que faça sentido para seus membros, com Música, Pintura, Literatura, Roupas, Eventos, Festas, Lojas, Trabalho, Relações Humanas, Comportamento, etc. Para saber mais clique aqui! 16. E como È a Literatura da Sub-Cultura Gótica? Não existe Literatura “da” Sub-Cultura Gótica, existem vários estilos liter·rios mais apreciados nesta Sub-Cultura, entre eles, o Romance Gótico (Walpole, Mary Shelley, etc), Romantismo (W.Blake, Keats, Byron, E.A.Poe, etc) a poesia Simbolista/Decadentista (Baudelaire, T.S.Elliot, Rimbaud, Oscar Wilde, etc) o romance Existencialista (Camus, Sartre, etc), Literatura Beat (Gisnberg, Burroughs), etc. 17. Mas meu professor de Literatura disse que existe Literatura Gótica, ele não sabe disso? Ele está certo, apenas está se referindo a uma tendência ou movimento especÌfico dentro da Literatura, e não especificamente a Sub-Cultura Gótica de que falamos aqui. 18. A Literatura Gótica influenciou o movimento dos anos 1980? Não diretamente, mas sem d·vida esse movimento fez releituras ou sátiras da Literatura Gotica. Essa Literatura tambem serviu de tema para Movimentos ArtíÌsticos anteriores, que influenciaram o movimento estetico dos anos 1980, como por exemplo o Expressionismo. 19. E como posso saber que estes movimentos artÌsticos influenciaram diretamente a Sub-Cultura Gotica? Por que eles são citados diretamente pelas bandas ou tem suas estÈticas usadas por elas. Encontramos citações tanto diretas quanto de estilo nas capas de albuns, nas músicas e nas letras. Alguns exemplos: - o nome e o logotipo da banda Bauhaus são os mesmos da escola artÌstica (pintura e arquitetura) alem„ Bauhaus, da qual podemos citar alguns artistas como Paul Klee, Kandinsky, Gropius, etc. - A música “Killing an Arab” do The Cure È baseada no romance “O Estrangeiro”, (do existencialista francês Albert Camus). O Bauhaus tem uma música com o nome do teatrólogo surrealista francês Antonin Artaud (“teatro da crueldade”) e outra com o nome do ator do cinema expressionista Bela Lugosi. - musicalmente, temos muita influência da música desenvolvida pelo modernismo, com conceitos como o minimalismo, música Ètnica, musica eletrônica, não–música, etc, etc. Se você procurar, encontrar· muitos outros exemplos. Maiores informações sobre música erudita contemporânea: 20- Quem foi Bela Lugosi? Bela Lugosi (1882-1956) foi um famoso ator de origem húngara que participou de inúmeros filmes, mas foi imortalizado (hmmm....) como o Dracula canastrão produzido por Tod Browning (“Dracula”, 1932 ). A música “Bela Lugosi is Dead” (1979) da banda gotica Inglesa Bauhaus se refere a ele, e È considerada por muitos o “hino gótico”. 21. O Expressionismo e o Cinema Expressionista tem a ver com o Gotico? Tanto a estética dos filmes como a da pintura Expressionista tem sido bastante usada pelos Góticos desde os anos 1980. Ex: filmes como “O Gabinete do Dr. Caligari”, “Metropolis” “Nosferatu” e “Dracula (1932)”, entre muitos outros. O cinema de terror “B” tambÈm È uma fonte inesgotável de inspiração para o humor Gótico. 22. Os Goticos só vestem preto? Eu tenho que vestir preto para ser Gótico? Você não precisa vestir só preto e nem os Góticos vestem apenas preto. Mas buscam um grande contraste e superposição de estilos diversos. O importante È o efeito dramático. Geralmente isto È conseguido usando alguma peça de tom escuro. 23. O Gótico verdadeiro È apenas o dos anos 80? Não. A Sub-Cultura e o gênero musical surgiram e se caracterizaram nos anos 80, mas continuaram a crescer e a se desenvolver mundialmente nos anos 90 e continuam até hoje. 24. Então por que dizem que o Gótico dos anos 80 acabou nos anos 90? Porque em 1_ de janeiro de 1991, os anos 80 acabaram e começaram os anos 90, assim, os álbuns lançados a partir desta data não poderiam jamais ser considerados como anos 80 por uma questão cronologica...rs. PorÈm, muitas bandas góticas dos anos 80 continuaram em atividade nos anos 90 e muitas outras surgiram nos anos 90 tanto com novas propostas quanto inspiradas nas bandas dos anos 80 e isso acontece atÈ os dias de hoje, logo, o Gótico não só nunca acabou como não houve nenhum perÌodo onde ele tenha deixado de existir. Apenas a informação das cenas Góticas dos Estados Unidos e da Europa deixou de chegar aqui, atÈ o público brasileiro, como chegava atÈ o começo dos anos 90. 25. Quais são as principais bandas dos anos 80? Bauhaus, Siouxsie and The Banshees, Cocteau Twins, Dead Can dance, The Cure, Joy Division, The Damned, X-Mal Deutschland, Echo and The Bunnymen, The Smiths, Sisters of Mercy, The Mission, Einsturzende Neubauten, Alien Sex Fiend, Nick Cave, Opera Multi Steel, Poesie Noire, Clan of Xymox, The Fields Of The Nephillin, The Jesus and Mary Chain, Depeche Mode, Mecano, Front 242, Trisomie 21, Malaria, Christian Death, Sex Gang Children, Mephisto Walz, UK Decay, Killing Joke, Black Tape For a Blue Girl, Kirlian Kamera, etc. 26. Quais são as principais bandas dos anos 90? Switchblade Simphony, London After Midnight, Wolfsheim, Nosferatu, Inkubus Sukkubus, Faith and The Muse, Sopor Aeternus, The Cruxshadows, Love Spirals Downwards, Ikon, Bella Morte, Cranes, Miranda Sex Garden, La Floa Maldita, Rosetta Stone, Lycia, Sunshine Blind, Seraphin Shock, Project Pitchfork, The Merry Thoughts, Das Ich, Shadow Project, Diary of Dreams, Collection D’Arnell Andrea, Lacrimosa, L’Ame Imortelle, In Strict Confidence, Faith and Disease, Paralysed Age, Manuskript, Libitina, Two Witches, Abney Park, Deep Eynde, Spahn Rach, De/Vision, Beborn Beton, Wumpscut, Apoptygma Berzerk, VNV Nation, etc 27. Quais as principais bandas recentes (sÈculo 21)? Diva Destruction, BlutEngel, The Vanishing, The Ghost of Lemora, Collide, Ego Likeness, Audra, Hatesex, Frank The Baptist, Elusive, The Creatures*, Dresden Dolls, Cinema Strange, The Last Days of Jesus, The 69 Eyes, Rasputina, The Screaming Banshees Aircrew, Scary Bitches, Zombina & The Skeletones, Darvoset, Black Ice, The Birthday Massacre, Diorama, QNTAL, Helium Vola, Katzenjammer Kabaret, Klimt 1918, Placebo, Elusive, Welle Erdball, Tragic Black, Devilish Presley, Human Disease, Scarlet Remains, Carfax Abbey, Anders Manga, Shadow Reichenstein, Eisbrecher, Android Lust, Voltaire, etc (boa parte das bandas dos anos 90 que continua em atividade hoje, e algumas dos 80’s tambÈm). 28. Existem bandas brasileiras em atividade hoje? Sim. Exemplos: Elegia, Tears of Blood, Scarlet Leaves, Zigurate, The Forest, Strangeways, Banda Invisivel, Dead Roses Garden, Maldita, Vesuvia, NecrÛpolis, Closer, Downward Path, Crippled Ballerinas, A Industrya, Pecadores, Digital Terror, Sunseth Midnight, Seduced by Suicide, Dancing in Tears, X-Devotion etc 29. Mas então o Gothic Metal não foi a evolução do gótico nos anos 1990? Nããaãããããaãão!!!! A falta de informação ocorrida na cena Gótica brasileira nos anos 90, gerou um espaço propÌcio para a proliferação da idÈia de que o Gótico havia acabado e que o Gothic Metal seria a “evolução” do Gótico. IdÈia essa muito interessante para as gravadoras e produtoras interessadas em comercializar esse “rótulo”. A partir daÌ, qualquer banda de Metal que tivesse vocal feminino lírico ou teclado ou letras “trevosas-du-maaal” passou a ser comercializada sob o rótulo Gothic Metal, sendo que muitas vezes isso era imposto as bandas pelas gravadoras como condição para a gravação. 30. Góticos são deprimidos? Não. Depressão È uma doença, um distúrbio bio-quÌmico do organismo que pode ser gerado ou não por distúrbios emocionais e, como qualquer doença, deve receber tratamento mÈdico e psicológico. Góticos apenas não fogem dos aspectos e momentos doloridos ou mais tristes da vida, pois consideram que estes são partes integrantes da vida, assim como o ano tem tanto inverno como verão. Você pode dizer que os Góticos são Melancólicos e Saudosistas, esses termos são mais apropriados (não que saibamos exatamente do que temos saudade, mas devemos ter perdido algo muito legal... :-). 31. Melancolia é tristeza? Não. Tristeza È algo muito chato, apesar de fazer parte da vida. Já Melancolia È algo mais interessante! Posso ser melancolicamente triste, ou melancolicamente alegre, ter prazeres melancolicamente, rir melancolicamente ou chorar melancolicamente. A base da Melancolia È a presença constante da cosnciência de que a vida e cada experiência vivida está fadada ao fim.(mas não È por isso que vamos deixar de aproveitar todos os bons momentos, não È mesmo?) 32. Góticos cometem o suicÌdio? Claro que não, senão não existiriam mais Góticos :) 33. Góticos tem religiâo? Só aos domingos ! =) Brincadeira. Os Góticos podem ter a religião que eles bem entenderem, ou nenhuma, mas essa é uma escolha pessoal, não tendo nada a ver com a sub-cultura Gótica. … evidente que pessoas ligadas a religiões muito conservadoras e que seguem suas regras ao pé da letra podem ter problemas com alguns elementos da poesia, da música, do comportamento, do visual, e do discurso da sub-cultura gótica, que vão contra algumas regras tradicionais ou conservadoras. 34. Góticos são etnicamente brancos? Não. Góticos costumam usar maquiagem de teatro, cinema antigo, cabaret ou circo, para expressar dramaticidade e/ou androginia. 35. Mas por que querem expressar isso? Como a sub-cultura Gótica/Darkwave existe em um contexto de “fuga e crÌtica” a sociedade Industrial-Positivista, essa sub-cultura adotou vários elementos estÈticos considerados “antigos” de grupos considerados “underground” ou “decadentes” ou “pervertidos” ou ”artÌsticos” no passado. Ex: a estÈtica de teatro, cinema expressionista ou noir, circo, vaudeville, etc. 36. O Gótico surgiu do Punk? Não apenas do Punk. O Punk teve o efeito de dar notoriedade a muitos artistas, mas muitas influências diretas do Gótico e da Darkwave são anteriores ao Punk 1976- 77. Se o Gótico tivesse simplesmente surgido do Punk, a maioria de suas caracterÌsticas principais teriam surgido do nada. O Glam-Rock, o New-Romantic e o KrautRock, por exemplo, tambÈm tiveram grande influência na formação do Gótico. 37. Que outros estilos musicais e sub-culturas influenciaram e influenciam de alguma forma a m·sica da Sub-Cultura Gótica? Algumas dúvidas sobre isso podem ser esclarecidas aqui: 38. O que é Pós-Punk? Não vamos entrar em detalhes da historia do Pos-Punk aqui. Do ponto de vista do Gótico, basta saber que de 1979 a 1983, entre as muitas bandas que eram consideradas Pos-Punk apenas algumas eram ao mesmo tempo consideradas Góticas. Assim, nem tudo o que È Pos-Punk È Gótico!!! 39. Ah! Entendi! Então nem tudo o que È Pos-Punk È Gótico! Mas e o que È Gótico È Pós-Punk? Nâãããããão!!! Talvez apenas bem no começo, quando, afinal, praticamente TUDO era Pos-Punk e a Sub-Cultura Gótica ainda não havia se definido. Hoje a Sub-Cultura Gótica abraça vários outros estilos. 40. Qual a diferença entre Gótico e DeathRock? Sabe aqueles casais que vivem resmungando e brigando o dia inteiro por dÈcadas a fio, mas que não tem coragem para se separar, nem para admitir que se amam? … um caso desses. A diferença È de grau, alguns elementos são mais explorados no Deathrock e outros mais no Gótico. Musicalmente o Death-Rock costuma trabalhar com tendências mais próximas ao punk, apesar de algumas bandas trabalharem com rock e eletrônico, mas sempre de forma mais minimalista. Tematicamente, o Death-Rock tende mais para o humor, horror e ironia. Não que o Gótico não trabalhe tambÈm com estes traços, mas de forma menos acentuada. A temática Gótica costuma ser um pouco mais “trágica”, mas ao mesmo tempo irônica: temos certeza que vamos sofrer e morrer, mas nem por isso deixamos de celebrar a paixão. 41. Góticos tem que gostar de frequentar cemitÈrios? Não, não existe nenhuma lei que diga que você tem que ir ao cemitÈrio ou gostar de cemitÈrios para ser Gótico. Mas como na sub-cultura Gótica/Darkwave a temática da fugacidade da vida, da morte como algo que está presente o tempo inteiro dando significado a existência, do carpe diem, etc, a atração pelos cemitÈrios È bastante comum, seja para refletir sobre o sentido da vida ou para zombar da morte. Enquanto podemos… AlÈm disso, muitos Góticos (e não-Góticos tambÈm) apreciam a Arte Tumular (esculturas, pinturas e arquiteturas caracterÌsticas dos cemitÈrios). Maiores informações sobre Arte Tumular em cemitÈrios de São Paulo: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/empresas_autarquias/servico_funerario/arte_tumular/0001 42. O que È Carpe Diem? Ditado e estilo de vida: em Latin: “aproveita o dia” (de hoje) pois a morte pode chegar já amanhã. A versão mais usada pelos Góticos È “Carpe Noctem” (aproveita a noite) no mesmo sentido que a outra expressão. 43. Porque os góticos usam crucifixo? O uso de um crucifixo por alguÈm vestido e maquiado como um gótico já È algo de deixar as velhinhas da missa das 6 da manhã‚ com os cabelos mais em pÈ que os nossos (e sem laquê nem sabonete seco...rs). O uso de crucifixos surgiu em parte pela temática de sofrimento (paixão) e sacrifÌcio do cristianismo e em parte pela intenção herÈtica de colocar sÌmbolos religiosos em contextos esdrúxulos. 44. Porque os goticos usam Ankh? Este sÌmbolo se tornou popular entre os Góticos sendo relacionado ao Vampirismo depois do filme “The Hunger” (Fome de Viver, 1983). Neste filme, David Bowie e Catherine Deneuve representam um casal de vampiros. No inÌcio há uma cena em que a dupla está á espreita de suas presas numa casa noturna ao som de “Bela Lugosis’s Dead”, tocada pelo próprio Bauhaus, com seu vocalista Peter Murphy cantando atrás de grades. O detalhe È que este casal de vampiros não tem caninos proeminentes: usam colares cujos pingentes são Ankhs egÌpcios com pontas afiadas que servem para cortar as veias de suas vÌtimas. A vampira ancestral está viva desde o antigo Egito, o que justifica a apropriação deste antigo sÌmbolo religioso egÌpcio (o Ankh) em um novo contexto. O filme discute questões existenciais sobre a vida e a morte. Posteriormente, em 1989, Neil Gaiman usou o visual da Sub-Cultura Gótica para seus personagens da premiada sÈrie de quadrinhos “SandMan”. A personagem Morte (Death), por exemplo, È uma simpática e irônica garota Góica que usa um grande Ankh. Esta sÈrie de quadrinhos popularizou ainda mais o uso do Ankh. 45. Os góticos são satanistas? A subcultura Gótica/Darkwave não tem ligação com nenhuma religião ou anti-religi„o organizada. Aliás, no Gótico, quase tudo È pessoal e desorganizado... Aliás, È exatamente por isso que estamos fazendo esse FAQ. 46. Os góticos cultuam a morte? Só aquela da HQ Sandman, que È a maior gatinha! J Mas falando sÈrio, essa HQ È bem legal e tem a ver com a questão da Morte na Sub-Cultura Gótica e Darkwave. Afinal, a morte È o alto preço da vida. (ver perguntas 39 e 40 ) 47. Os góticos são homossexuais ou bissexuais? Só os que são. J Mas não podemos esquecer que quando a Sub-Cultura surgiu, ainda nos anos 1980, a sociedade era muito mais conservadora e machista do que hoje. Imagine um bando de rapazes usando maquiagem e esmalte e pregando que homens podem ter sentimentos históricamente definidos como femininos? O fato da estÈtica Gótica/Darkwave/Death-Rock ter adotado a Androginia ou a maquiagem Teatral fez com que ela acabasse sendo inicialmente um refugio para indivÌduos de todas as 2328 opções sexuais existentes, atÈ mesmo para as mais depravadas de todas, como a castidade. Então, se você vai frequentar a Sub-Cultura e a cena Gótica, precisa saber que vai encontrar pessoas de todas as orientações sexuais e que tolerância faz parte de nossa história e tradição. Mas evidentemente, seria um absurdo alguem ser obrigado a ter uma orientação sexual ou outra para fazer parte dessa cena. 48. Vejo muito visual S&M na cena Gótica. Os Góticos são sadomasoquistas? Novamente, são os que são. J Os Góticos são fetichistas, gostam de insinuar, de brincar de faz-de-conta, porÈm apenas alguns Góticos são realmente S&M, sendo isso uma opção pessoal. Esse visual está· presente na cena desde o inÌcio, nos anos 80. 49. O que significa androginia? Androginia significa ter uma determinada aparência tal que seu sexo não possa ser definido a primeira vista. Assim, você pode encontrar uma mulher que você não consegue identificar se È homem ou mulher, ou um homem que você não consegue identificar o sexo. Androginia È uma opcão estÈtica, e não uma opcão sexual. … muito difÌcil conseguir parecer totalmente andrógino, (poucos nascem naturalmente assim). A maioria se contenta em adotar elementos estÈticos do sexo oposto por diversão e/ou fetichismo. Mais sobre maquiagem e androginia na cena gótica pode ser encontado neste link! 50. Para ser um gótico verdadeiro eu preciso usar o visual gótico o tempo todo??? Não. Não mesmo. Sim, tenho certeza. Pois È. AlÈm disso precisamos entender que qualquer Cultura e Sub-Cultura tem sua indumentária cotidiana e a indumentária “de festa”. Como em qualquer evento social, nas festas as pessoas usam a “indumentaria cultural” mais completa e especial. Em outras palavras, você não precisa usar sobretudo de lã e maquiagem teatral sob um sol de 40 graus e nem pedir demissão do seu trabalho porque lá as pessoas não entendem muito bem o seu visual...rs. Todavia a indumentária È um elemento cultural importante em qualquer Sub-Cultura. 51. Para ser Gótico eu preciso ser Vampiro? Se eu sou Vampiro eu sou Gótico? Nem uma coisa nem outra. Existe a Sub-Cultura Gótica/Darkwave que aborda as vezes tambÈm temas vampiricos, entre muitos outros. Existe, paralelamente , uma cena VampÌrica . Assim: A ) você pode ser Gótico B ) você pode ser VampÌrico C ) voce pode ser ambos Em qualquer um dos três casos, as pessoas frequentam ambas as cenas, se assim o desejarem. Para saber mais sobre a cena Vampirica ( ou melhor, “VampYrica”), você pode checar a coluna Vampyro do nosso site 52. O que È “Mixirica” ? Mixirica È uma gÌria já antiga na cena Gótica brasileira, que pode ser usada tanto de forma carinhosa como pejorativa. “Mixirica” significa “exagerar” ou ser “afetado” no comportamento, linguajar ou visual Gótico. Pode querer dizer que algo È “estereotipadamente gótico”, tanto para o bem como para o mal. Afinal todo mundo tem seu momento mais “mixiricoso” e isso sempre È muito divertido. 53. O que È Wannabe? Wannabe singnifica “ querer ser” em IngêÍs. Significa alguÈm novo em uma cena, que ainda está aprendendo sobre ela mas ainda não sabe muito. Dependendo da pessoa que usa o termo, pode ser usado no sentido positivo ou como crÌtica (o que, inflizmente, È mais comum). 54. Quais os sÌmbolos mais recorrentes na Sub-Cultura Gótica? Observando a produção artÌstica relacionada a Sub-Cultura Gótica desde seu começo atÈ hoje, alguns sÌmbolos e imagens são recorrentes: Lua Prata Agua noite outono e inverno sensualidade decadência Expressionismo feminilidade (no caso das mulheres) e Anima (parte feminina no homem) onÌrico Surrealismo DionisÌaco Intuição Androginia Drama Emoção anti-racionalismo anti-mecanicismo anti-positivismo serpente vampiro bruxa, feiticeira, magia ennui, spleen horror com humor obscuridade paixão existencialismo anjos caÌdos urbanidade problemática/ cidades vazias romantismo seasonal, cÌclico hedonismo Kelch der Liebe und Bruno Albrecht SchattMostraste- me as profundezas do mundo inferior
No jardim tortuoso de meus sonhos deixastes caídas as flores, Rosas essas não colhidas e já secas. Oh Hades, deste-me tanto amor Alimenta-me a alma desiludida nesse mundo tão sujo Blutengel
Se ao fitar- te, meus olhos são de rainha, Saiba, meu doce amor, que és tu quem me inspiras. Também as esperanças perco eu mas as reencontro ao ver-te, Tão sublime e encantador Em sua carruagem, segurando as correntes. Guia-me ao inferno, querido. Não tenho medo estou contigo A ti fundir-me mais tenho como meta Enfrentando os problemas Destruindo o ódio que nos cerca. The Crüxshadows
Oh, meu amado,
Esse gosto de sangue que sentes E o pecado escorrendo por nossos corpos, São frutos de minha loucura, meu desvaneio. Quando sinto tua cabeça recostada em meio seio. Die Liebe Jessica ...
Ass:Bruno Albrecht Rodrigues Gonsales
Kelch der Liebe & Bruno Albrecht Schatt (BAS)
Das Ich December, 2006 Bruno Albrecht Schatt (BAS) Gott ist totEu sou uma daquelas pessoas que se ilude de mais, que fantasia coisas maravilhosas, e depois , quando vê que tudo não passou de uma ilusão, de uma peça pregada por seus olhos, sofre calada.
É nessas horas, quando a gente fica sozinha, chorando no canto calada, esperando que o telefone toque, esperando que seja um amigo ou amiga, para dizer uma frase de consolo e um ¿eu gosto de você¿, é que a gente vê quem se importa e quem não se importa. Demora a perceber que a maioria das pessoas dá a mínima para você, e que você tem de inventar mentiras para justificar as lágrimas, ou os olhos vermelhos, ou a tristeza, ou tudo junto. De que adianta pedir ajuda se ninguém pode ajudar? Se a 1ª pessoa {e uma das únicas} que oferece ajuda, é uma daquelas que menos podem saber? Hoje, meus sonhos e expectativas, antes envolvidos em luxúria e volúpia, foram degolados. Minhas ilusões foram trucidadas. A chama que ontem se acendeu, hoje se apaga, e amanhã pode se apagar eternamente. Difícil não é lutar pelo que mais se quer e sim desistir do que mais se ama. Eu desisti, mas não pense que desisti por não ter mais força de lutar, mas sim por não ter mais condição de sofrer! ¿Sorrisos falsos que enchiam nossa mente de alegria; pessoas falsas que nos apresentavam amizade; amores perfeitos que davam à nossa vida um toque especial... Uma vida feita de mentiras, lembranças falsas de uma alegria que nunca vivi.¿ ¿Durante anos esperamos encontrar alguém que nos compreenda. Alguém que nos aceite como somos, capazes de nos oferecer felicidade apesar de duras provas. Apenas ontem descobri que esse alguém é o rosto que vemos no espelho.¿ ![]() [
"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento a Nojo!!! ††Às vezes não conseguimos as coisa, ou por falta de persintência, ou pelo pessimismo; Sem palavras para descrever quão foda foi o show do Nighwish, simplesmente: perfeito. O melhor show que já fui até hoje. Fontes inseguras disseram-me que o show de hoje em SP foi adiado pois a Tarja está com febre e talz, foi porque não conversamos nem discutimos nossa relação, ae ela ficou tristinha e passou mal!! A pressão é grande sobre sua cabeça. Eles te sufocam de Tristania Se lembra da primeira dança que compartilhamos? Realidade ou ilusão. Tudo está tão estranho, parece que eu me tornei uma prisioneira. Meus pais cara, olha o modo que eles me tratam, ninguém pode ver? Eles são falsos, mentirosos. Ando me comportando; quando estamos discutindo, me calo, deixo eles me humilharem, me xingarem e me baterem, tudo para tentar ser a filha perfeita que eles tanto queriam ter. Eles não percebem o quão pesados são suas atitudes e atos? O tom de voz quando falam comigo? O quão duras são suas palavras e os efeitos que elas causam em mim? Fazem parecer que eu fui um acidente e que eles não ligam pra mim. Só se importam com os estudos. Eu já me cansei de chorar, minha cabeça não agüenta mais.
"Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
Meus olhos dizem muito mais do que você vê.
(
'Tudo que sinto e vivo é com toda intensidade contida em meu ser.
Amor Em Vão
'Às vezes fico me procurando entre as razões... E me encontro na escuridão das trevas de onde deveria ser resgatada. Mas só uma pessoa poderá me salvar, e será que ela sabe da importância que tem na minha vida? Eis a questão que não quer calar... Espero que quando ela descobrir essa tamanha importância, não seja tarde demais...'
Eu tinha postado um texto, mas depois achei que ficou muito grande, e editei...
É foda saber que você só serviu pra fazer as pessoas gastarem o tempo delas com você, principalmente seu ex, me sinto mal, tão insignificante, saber que a formiga que você matou ontem era mais importante que você. Talvez eu tenha sido uma péssima namorada, mas realmente eu acho que fui. Minhas lagrimas nunca significaram nada, meu corpo, parece que sempre é tão ausente, minha alma, sei lá o que que houve com ela. Ta tudo um merdão. Será que sou tão errada assim? Deixo todo mundo com raiva de mim, por que? Vou queimar no inferno mesmo, é isso que muitos querem! Ta tão foda a vida, que te tira a disposição de fazer qualquer coisa, ae junta com a anemia... Detona... Que que eu faço? Só faço merda, disso eu sei, mas agora ta d+...
"Se um dia você quiser chorar... Me chame, não prometo que te farei sorrir, mas eu posso chorar
Não tenho nada pra falar, nem pra escrever porque o meu rosto, minha voz e meu olhar expressão
Acabou cara, acabou tudo... Estou me sentindo péssima, é como se minha vida tivesse
Oh vida maldita! Pessoas que só servem pra fazer a gente sofrer, simples, eu vou continuar sofrendo sempre, tudo bem que não é nem um pouco bom eu dizer isso, sei que vai desgraçar minha vida mais ainda, mas vai geral pagar por tudo que fizeram pra mim, inclusive eu, claro, nao posso ficar de fora... Tá bom, uma frase que a mãe de uma amiga minha falou (Quezia) , só que eu vou alterar: Me fodo mas fodo geral também... Bruno -Das Ich
Tava precisando mudar o template... Die Liebe Ass:Bruno Albrecht Rodrigues Gonsales Bruno Abrecht Schatt *BAS*
Gott ist Gothic e sua HistóriaGótico
"É que cada um tem uma idéia própria , geralmente deturpada, da Idade Média. Só nós monges daquela época sabemos a verdade, mas, ao dizê-la podemos ser queimados vivos." - Umberto Eco O Gótico não é apenas uma opção de estética e sim uma mistura entre surrealismo, romantismo e estilo medieval. O Estilo Gótico tem origem nos Tempos Medievais, séculos XIII e XIV, ligado principalmente a arquitetura como catedrais e igrejas. O aparecimento do verdadeiro Estilo Gótico vem alguns anos a frente, onde a Época Medieval já era considerada um período bárbaro e obscuro, os bárbaros que lá viviam eram chamados de genos, portanto Gótico significa Bárbaros por excelência, causando assim um profundo desprezo.
O gótico, portanto é aquele que cultiva a depressão, utiliza a música, a arte e a literatura para expressar suas decepções tanto amorosas quanto da vida, sua opinião sobre o mundo e sobre as coisas no qual ninguém se importa, ou ainda para criticar aquilo que tanto o incomoda.
A literatura Gótica faz uma grande distinção entre o BEM e o MAL, onde Satã possue um grande papel. São muito citados nos textos góticos a noite, o pessimismo, a loucura, os sonhos, as sombras, as quedas, o medo, a decomposição, a atração pelo abismo, sem se esquecer da principal: a MORTE e a VIDA.
. Góticos: opções estésticas e definições
Em primeiro lugar vamos as definições começando pelo sentido etimológico e histórico da palavra.
O termo gótico têm sua origem ligado a um estilo de arte medieval presente entre os séculos XIII e XIV que sucedeu ao estilo românico (séculos XI e XII) fazendo-lhe oposição. Sua presença é marcante no que se refere principalmente a arquitetura, sendo famosas as catedrais que seguiram o seu padrão arquitetural como Notre-Dame de Paris, Chartres e Reims.
O aparecimento do termo gótico entretanto encontra-se alguns anos a frente dessas construções medievais. Durantes os séculos em que foi moderna, a arte ótica era conhecida sob o nome de opus francigenarum, o que significa obra francesa e indica bem a sua principal origem. Entretanto nos séculos XV e XVI com a renascença e o entusiasmo pela antiguidade clássica, passou-se a considerar a Idade Média como uma época bárbara e obscura. Como os godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo passou a se chamar gótico, ou seja, bárbaro por excelência, alcançando um sentido pejorativo e de profundo desprezo.
. O Romantismo e o resgate da estética medieval:
"É que cada um tem uma idéia própria, geralmente deturpada, da Idade Média. Só nós monges daquela época sabemos a verdade, mas, ao dizê-la podemos ser queimados vivos."
O movimento romântico que se fez presente no século XIX procurará romper com os valores do classismo que assim como o renascimento exaltava os valores estéticos da antiguidade clássica e o racionalismo. Ao afrontar esses padrões o romantismo faz uma espécie de reabilitação da Idade Média e do seu imaginário. Muitas obras românticas como por exemplo Notre-Dame de Paris de Vitor Hugo têm como cenário a Idade Média. Entretanto a visão dos românticos era extremamente idealizada.
São ainda os românticos os responsáveis pelo surgimento do "gothic novel" ou "romam noir", normalmente ambientados em castelos sombrios e ambientes tenebrosos. O castelo de Otranto lançado em 1764 por Walpole é um celebre exemplo disso. A Gothic Novel utiliza o passado como cenografia, pretexto para a construção fabulística, para dar livre curso a imaginação. Walpole pode ser cosiderado o criador e precursor do "gothic novel", seu romance foi inovador rompendo com os padrões literários então vigentes, criando uma atmosfera repleta de personagens inverossímeis, terrores sobrenaturais e castelos arruinados. O estilo fez um tremendo sucesso, sendo copiado por vários autores, indo muito além do romantismo nas formas do conto fantástico, conto de terror e até a ficção científica.
O verme romântico nasce ainda sob os trajes do herético do anjo caído, é o "maldito" por excelência, e isso não podemos perder de vista. Sob esta ótica o romantismo é ainda a reabilitação do mal, onde o mal se transforma em discurso noir, discurso de desconstrução moral que se perpetuará no século XX através do Dadaísmo e do Surrealismo.
É no romantismo literário que se torna mais aparente e mais facilmente acessível para nós esse esforço sincrético para reintegrar no Bem o Mal e as trevas, herdando toda a dramatização da literatura bíblica e da iconografia medieval. Satã faz sua entrada triunfal como o Mefistófeles de Goethe, sendo o herói byroniano do Mistério de Caim. Faz-se a celebração da noite obscura, que passa a ser o lugar previlegiado da celebração dionisíaca tão presente na obra de Novalis ( Hinos à Noite). Acompanhando o resgate dos valores noturnos temos o pessimismo, a loucura, os sonhos, as sombras, a decomposição,a queda, a atração pelo abismo, a morte e a urgência pela vida.
Esta inversão de valores é facilmente reconhecida nas obras de Vitor Hugo como Le Fin de Satan e a já citada Notre-Dame de Paris, onde a maldade e a feiúra tornam-se em ideal.
O herói romântico traduz-se nas figuras do dândi e do libertino, imortalizados em vida e obra por Wilde, Byron e Sade.
O romantismo abre espaço para o terror diabólico e ancestral nas obras de Poe, Le Fanu e Bram Stocker, surgindo da obra destes dois últimos a figura nefasta do vampiro, o amante imortal.
No dark side do romantismo portanto, encontramos praticamente todos os elementos estéticos que tanto deliciam os góticos até os dias de hoje... Além da sua origem através do gothic novel.
. Amor aos vermes
Claro que não é apenas no romantismo que os atuais góticos se nutrem, mas é na escola de morrer cedo que encontramos as suas referências mais preciosas, além da origem da atual acepção do termo. Todos os vermes na verdade tem a sua contribuição a dar, seja um Bosch entre a Idade Média e a renascença, um Byron romântico, um Dali surrealista, a degenerescência de um Fritz Lang, ou o cinismo caústico de um Wilde, pois onde quer que surja uma sociedade ordenada e racional, lá surgirá o verme delirante, receba ele o nome que for. E talvez seja este o princípio estético dos góticos, o amor aos vermes, não importa a linguagem
ou escola artística.
. Arquitetura e Escultura Cemiterial
Apesar da aparência muitas vezes triste, os cemitérios, principalmente os mais antigos podem guardar ricas surpresas para quem se dispõe a procurar. Alguns constituem verdadeiras galerias de arte a céu aberto sendo até mesmo possível encontrarmos peças e esculturas de artistas famosos. Em países como a França e Argentina alguns cemitérios são até mesmo pontos turísticos que atraem viajantes do mundo inteiro como por exemplo os Cemitérios de Pére Lachaise (Paris) e da Recoleta (Buenos Aires).
Eles são concorridos pontos turísticos por terem entre seus moradores eternos figuras famosas que fizeram história nas artes ou na política. Mas com certeza a beleza da arte tumulária presente nestes cemitérios contribui e muita para a sua fama.
No Brasil também encontramos exemplo magníficos de arte tumulária principlamente nos cemitérios de São Paulo como Consolação, Araçá, Paulista e Morumbi. Também existem importantes acervos de arte tumulária no Rio de Janeiro, na Bahia e em Recife. Entretanto ao contrário do que ocorre em outros países são poucos os que percorrem os cemitérios brasileiros para visitação de túmulos ilustres (com exceção do dia de finados) ou que saibam apreciar as obras de arte que estes cemitérios muitas vezes escondem. Muitos dos jazigos presentes nestes cemitérios foram feitos por artistas europeus e com materiais muitas vezes importados, tudo com o objetivo de enaltecer o nome das famílias abastadas. Em cemitérios como o da Consolação em São Paulo é possível encontrar obras de artistas consagrados como Brecheret e Luigi Brizzolara ao lado de outros não tão conhecidos como Eugênio Pratti e Ramando Zago. Muitos artistas italianos de renome deixaram um enorme acervo de peças espalhadas pelos cemitérios brasileiros, principalmente em São Paulo, e muitas destas peças só agora estão sendo identificadas. Para se ter uma idéia, somente no cemitério do Araçá existem cerca de 80 peças catalogadas, de notório valor artístico.
O caráter individualizador do nome da família é uma das preocupações do imigrante europeu no Brasil, a partir da segunda metade do século XIX. Os cemitérios de Vila-Verde, Municipal de Curitiba, do Araçá e do Braz de São Paulo formam conjuntos de capelas jazigos familiares, recriando aquela atmosférica doméstica dos bairros tradicionais dos imigrantes. A comunidade representa-se, então , no todo do divisionismo e nos hábitos das famílias usuárias, que tratam de suas capelas como se fossem prolongamentos de suas próprias casas, levando para os jazigos os mesmos arranjos decorativos que o seu nível cultural lhes permite refletir. A preocupação do colono europeu na área de enriquecimento imediato era muito tendente a individualizar seu nome, através da exibição de sinais de abastança. O caráter monumental da última morada era para muitos fruto de uma ansiedade de se auto-afirmar socialmente.
No estudo dos cemitérios brasileiros os estilos se sucedem como nas necrópoles européias, porém com datas defasadas e submetidos às razões da disponibilidade dos materiais locais. Há uma certa diferença entre os objetos produzidos no percurso da belle époque e os que surgiram logo após, de um estilo diferenciado, denominado art noveau. Nas principais metrópoles européias o início da art noveau tem data certa em 1890. O seu surgimento elege a máquina como instrumento de pluralização de produção artística, capacitada para atender o consumo da decoração doméstica, trajes, e objetos de uso cotidiano até o nível da pequena burguesia urbana. Os meios de lavor artístico adquirem soluções mecânicas com instrumental elétrico de muito maior rentabilidade de tempo e produção. Brocas serras e polidores elétricos, novos métodos de fundição e metalurgia possibilitam a reprodução de protótipos de objetos de criação artística, ao nível industrial.
Em relação a arte cemiterial, tais possibilidades determinam, em todos os centros urbanos de expressão e riqueza, novas e reconhecíveis características. Até então as construções cemiteriais se valiam do trabalho artesanal e da eventualidade artística. Com o trabalho industrial mecanizado, as fundições passaram a fornecer gradis e portões, cercaduras de ornatos, frisos, cruzes e alegorias pré-moldadas, vigas metálicas, colunatas de estruturas , etc. A estatuária náo era mais trabalho do escultor, neste caso entendido como o artista criador do objeto modelado. Estatuário na linguagem do século passado, corresponde ao artesão habilitado a reproduzir em pedra os protótipos encomendados, mediante pantógrafo, brocas elétricas e produção em série.
O traço que distingue a passagem da arte tumulária neoclassista para a da belle époque corresponde, em primeiro lugar à diminuição, e mesmo esvaziamento da simbologia escatológica tradicional. Estas eram freqüentes, quase obrigatórias na fabricação dos marmoristas de Lisboa, tanto na representação do objeto principal como na distribuição dos elementos alegóricos. A belle epoque se despe da excessiva carga escatológica e se realiza como uma nova espiritualidade lírica, procurando impregnar, até as próprias alegorias, com uma aparência de profundo realismo, de verismo. Por isso logo transforma a figura alada e assexuada dos anjos da estatuária classista, em novos personagens, em anjos de procissão que parecem existir em nosso cotidiano. Os anjos da belle époque ganham sexo, expressam a idade, brincam como crianças, refletem juventude, mas também sabem assumir quando querem traduzir desolação, as atitudes mais teatrais e melodramáticas.
O romantismo das figuras da belle époque embora tenha uma apresentação realística não pode ser identificado com os sinais eróticos que se manifestariam depois na arte tumulária. São igualmente freqüentes na arte tumulária da belle époque sinais de referência e de simbolização de fortuna, do prestígio e da ropriedade. A presença de alegorias pagãs, como o símbolo do deus Mércurio (ou Hermes, do Comércio), além de outras figuras mitológicas como ninfas também é constante. A belle époque também não foi insensível ao enaltecimento dos produtos industrializados substituindo o bronze pelo ferro em muitas das esculturas.
O final do século XIX e princípio do século XX foi extremamente rico para a arte cemiterial brasileira por reunir ao mesmo tempo famílias com recursos financeiros e disposição para construir túmulos suntuosos e artistas de grande talento que aqui aportaram, principalmente italianos. São desse período muitas das peças produzidas por Brecheret, de caráter modernista, além de outras peças que denotam sensualidade e monumentalidade, como a dos artistas Emendabili, Oliani e Nicola Muniz. Todos apresentando uma riqueza de detalhes e leveza surpreendentes. A presença de nus na arte cemiterial é uma grande inovação deste período.
Nos cemitérios brasileiros não é tão fácil distinguir-se essa sucessão cronológica dos estilos, comparecendo a belle époque e art noveau muitas vezes como mercadorias importadas, imitadas, dispostas e acumuladas ao longo das quadras. Devido a disposição muitas vezes atrofiada de alguns cemitérios até mesmo observar as peças torna-se muitas vezes um grande sacrifício. Outro fator de prejuízo é sem dúvida a má conservação de muitas das necrópoles brasileiras, algumas centenárias e em estado de total abandono. Numa perda irreparável de um belo patrimônio artístico nacional. Hoje em dia, com o surgimento dos chamados cemitérios-jardim a arte da escultura cemiterial praticamente está extinta. Outro fator que leva a presença cada vez mais escassa de túmulos monumentais, é o alto custo dos materiais como o mármore, ferro e bronze, além da quase inexistência de artistas que se dediquem a este tipo de trabalho. Resta-nos portanto lutar para preservar esta verdadeiras obras de arte que ainda subsistem espalhadas pelos cemitérios brasileiros, começando por reconhecer o seu inestimável valor estético.
. Origem dos Cemitérios no Século XVII
"Esta a morte perfeita, nem lembranças, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso..." - Lygia Telles (Venha ver o pôr-do-sol)
Aconteceu no mundo inteiro, um fenômeno curioso no final do século XVII. Por medida sanitária os sepultamentos passam a realizar-se em área aberta, nos chamados campos-santos ou cemitérios secularizados.
Isto já não era novidade: japoneses, chineses, judeus e outros povos já traziam tradicionalizada a inumação a céu aberto. Os protestantes também, em muitos países o faziam. A mudança afetou principalmente os povos de predominância católica. No Brasil, o enterro fora da Igreja era reservado aos acatólicos, protestantes, judeus, muçulmanos, escravos e condenados, até que por lei, inspirada na correlação que se fez entre a transmissão de doenças através dos miasmas concentrados nas naves e criptas, se instalaram os campos de sepultamento ensolarados.
Um outro motivo, que embora não diga respeito a realidade brasileira merece ser citado, diz respeito a laicização do Estado e sua separação da Igreja. Um exemplo digno de nota é o caso do Pére Lachaise de Paris (descrito melhor logo a seguir), que apesar de receber o nome de um padre católico, abriga tanto pessoas de várias religiões quanto não-religiosos, sendo um dos dos primeiros cemitérios laicos e também um dos mais famosos do mundo.
A urbanização acelerada e o crescimento das cidades é também uma importante razão para a criação dos cemitérios coletivos a céu aberto, visto que o crescimento populacional desenfreado não permitia mais o sepultamento em capelas e igrejas, que já não comportavam o aumento da demanda.
Numa primeira impressão o fato parece ter explicação simples, mas quando se atenta para o resultado ocorrido, sobre mais de um século, estudando-se o fantástico derrame de fortunas nas construções tumulárias pomposas, dos abastados de cada cidade, quando se verifica a diferença de comportamento entre a sepultura de igreja e a de construção livre arbitrada pela fantasia do usuário, e também quando se considera a história social e cultural do mesmo período, então se percebem outras razões no fenômeno. Não foi somente uma questão do ponto de vista higiênico, ou seja, uma razão metade prática e metade científica (e também política e social), da sociedade oitocentista. Se esta mudança acontecesse apenas por esse motivo, os cemitérios católicos em descampados teriam permanecido sóbrios e padronizados do mesmo modo que os erigidos por irmandades em mausoléus coletivos, ou como os de outras religiões.
A simplicidade dos padrões tradicionais e primitivos continuou caracterizando a sepultura coletiva enquanto o fausto e a arrogância da tumulária individual se desenvolveu espantosamente.
Portanto a verdadeira razão da grande mudança de atitude e gosto já existia há longos tempos no anseio de monumentalizar-se perante a comunidade. Era e sempre foi o desejo dos mais abastados, distinguir-se através de uma marca perene, de um objeto de consagração - o túmulo - pela atração de compara-se aos grandes personagens da história, sem a menor cerimônia, incluindo nesta leva os soberanos, os faraós, os reis, os papas e os príncipes, que mereceram sepulcros diferenciados dos demais.
Há de fato túmulos monumentais de papas de acordo com a pompa de cada época, contudo sempre integrados à construção da igreja. Há papas que não restaram por virtudes, e sim pela eventualidade do valor artístico, ou monumental de seus túmulos. De qualquer modo, erigia-se a igreja como bem público, integrada ao uso coletivo, e nela se fazia a sepultura do seu doador e benfeitor.
Entretanto em muitas igrejas, originalmente levantadas para serem o jazigo do doador, este descansa sob uma lápide que nem perturba o nível do chão. A arte tumulária varia com a data, acompanha cada estilo de época, e de região, e jamais sonega o caráter, a espiritualidade do meio em que ocorre. Sob tal prisma, isto é, tomando-se a arte tumulária como representativa desses atributos, podemos entender as estruturas sociais e culturais dos meios, mesmo quando tal se acha restrita a uma parcela da população. Aliás, tal restrição, relaciona-se diretamente com o tipo de economia da sociedade, estando deste modo a arte cemiterial condicionada a fatores de caráter sociológico, econômico e cultural.
. Pére Lachaise de Paris
O grande cemitério de Pére Lachaise de Paris, fundado em 1804, precede em meio século os sepultamentos em cemitérios abertos decorrentes das leis e dos motivos sanitaristas, conforme ocorreu no Brasil.
O Pére Lachaise, que era um bosque, continuou a sê-lo e jamais perdeu o predomínio paisagístico. Suas sepulturas celebrizadas pelos nomes dos sepultados, vão desde a estela simples até a estatuária monumental e as capelas jazigo de enorme riqueza. Todavia, o distanciamento entre uma e outra, a topografia em aclive, as veredas até o fim da vista e os caminhos curvos arborizados permitem um percurso e uma compreensão de todas as datas, desde os túmulos góticos transladados até o da escultura expressionista de nossos tempos.
. Arquitetura Gótica
"Idade média, és a minha escura subjacência." - Clarice Lispector
A maioria das pessoas quando houve a palavra "gótico", lembra logo das grandes e célebres catedrais medievais como Chartres, Reims e Notre-Dame de Paris. Mas será que isso teria alguma coisa a ver com as bandas européias de Gothic Rock como Siouxsie & The Banshees, Sisters of Mercy ou Bauhaus? Ao citarmos esta última em particular aí é que a coisa complica, afinal Bauhaus não era também uma escola de arquitetura criada em 1919 e fechada depois pelos nazistas?
Para encontrar respostas a estas perguntas vamos por partes:
Como já discutimos em outro tópico sobre a origem do termo gótico, existe sim uma relação com a arte gótica da Idade Média, mas filtrada pela reconstituição cultural que os românticos fizeram incorporando elementos da arte medieval em suas obras, como forma de contestar o classismo e seu apego a antiguidade clássica e ao racionalismo. No romântismo ao contrário havia um retorno idealizado em relação ao místico e ao imaginário medievais (elementos presentes também na arte barroca). E não há ícone melhor da Idade Média que a catedral gótica.
Neste sentido duas obras românticas são fundamentais: Notre-Dame de Paris de Vitor Hugo, e o Castelo de Otranto de Walpole.
Na obra de Vitor Hugo, a catedral torna-se o centro de toda a ação. O autor busca no passado histórico o rompimento com a estética clássica, elegendo o feio seu ideal de beleza, fazendo do disforme Quasímodo, o herói da história. Hugo considera ainda em seu romance a arte gótica como a verdadeira arte popular. Quanto a Walpole, é curioso notar que a idéia do romance se originou de um sonho e que posteriormente levou Walpole a construir um castelo gótico, o que acabou se tornando comum a época, em que vários dândis torraram fortunas na construção de castelos góticos medievais em pleno século XVIII.
O castelo medieval era ainda o cenário privilegiado do roman noir, com seus calabouços, masmorras, fossos, imensas salas, corredores sombrios e passagens secretas. É no castelo, em noites de tempestades e lua cheia que se dá o clímax das gothic novels, como ficou conhecido o gênero.
São resgatadas do cenário medieval personagens do imaginário cristão e popular, como o vampiro e porque não, Satã.
O Drácula de Bran Stocker não é nada mais que o lendário conde Vlad Teps da Transilvânia que segundo consta teria vivido no século XVI, e que tanto deliciou a imaginação dos românticos do século XIX.
Quanto a Satã, Goethe traduziu-o na figura de Mefistófeles, uma das personagens mais marcantes da literatura mundial. Todos os elementos estéticos, muitas vezes grotescos, que se encontram no roman noir ou gothic novel, tem no castelo e na catedral góticos a sua melhor inspiração e representação. E não é nenhum mistério que daí tenha saído a inspiração para 09 entre 10 bandas de Gothic Rock.
. Cinema Gótico
"Quando me perguntam de onde vem minhas idéias, respondo que se originam de meus próprios pesadelos, mesmo quando não estou dormindo.
Temos medo de tudo: do desconhecido, do abismo, da noite, das tempestades, da selva e dos desertos. Na hora de escrever, basta pensar que aquilo
que me assusta provavelmente também assusta os outros. Em algum lugar dentro de nós existe uma chave que acende o medo; é aí onde se instala o
conto de terror, quando está bem escrito, pois o homem sente mais atração por monstros e dragões do que por heróis. Como é impossível estar sempre lutando contra nossos próprios demônios e males, de vez em quando sentimos necessidade de levá-los para passear." - Stephen King.
A sétima arte está repleta de obras-primas do gênero terror-suspense, filmes que de uma forma ou de outra expressam e exibem a face obscura e irracional da imaginação humana.
O porquê nos sentimos atraídos e fascinados pelo horror até hoje é um mistério. Os filmes de terror nasceram praticamente junto com a cinematografia. O primeiro filme do gênero surgiu em 1896 e chamava-se Escamotage d'Une Dame Chez Robert Houdin, e em 1912 veio A conquista do pólo no qual um expedicionário era devorado pelo abominável homem das neves. Passando por clássicos como O gabinete do Dr. Caligari de Weine e Nosferatu de Murnau, até o sádico Freddy Krueger nos anos 80, o gênero é um dos mais prolíficos já inventados.
. Literatura Gótica
Quem pensa que a lista de autores cultados pelos góticos se resume a trilogia Poe-Baudelaire-Byron, está profundamente enganado. No terreno da literatura as influências são as mais variadas possíveis englobando românticos, surrealistas, beatnicks, expressionistas, modernistas, dadaístas e coisas que vão além da nossa imaginação.
Tudo começou com sir Horace Walpole e seu livro O castelo de Otranto lançado em 1764. Este livro discordava radicalmente dos padrões então vigentes. Sua atmosfera estava repleta de fantasmas, passagens secretas, terrores sobrenaturais e inverossímeis. Estava assim inaugurado o roman noir. O roman noir ou gothic novel, surgido durante o romantismo é mais uma atmosfera literária do que um estilo ou escola propriamente dita. Eis o porque deste gênero espalhar-se por outros estilos literários além do romantismo, rompendo todas as fronteiras da literatura. O conto de terror, o conto fantástico e a ficção científica podem ser considerados seus herdeiros diretos, garantindo ao gênero gótico uma extrema vitalidade até os dias de hoje. Aqui estão portanto citadas as pincipais obras da literatura gótica, romântica,fantástica e de terror. Esta pequena seleção bibliográfica está aberta a sugestões e inclusões. Alguns livros trazem resenha, para vê-la basta clicar sobre o título. É possível igualmente ver a biografia de alguns autores, bastando clicar sobre os nomes. Também fiz questão de incluir autores nacionais que de alguma forma se afinam ou sofrem influência da estética gótica.
. Aldous Huxley, "Admirável Mundo Novo"
Apuleio, "O burro de ouro"
Álvarez de Azevedo, "Noite na Taverna", "Macario"
Ann Radcliffe, "Os castelos de Athlin e Dunbayne", "O italiano", "O confessionários dos penitentes negros"
Anne Ricce, "Entrevista com o vampiro" Anthony Burgess, "Laranja mecânica"
Arthur conan Doyle, "Um estudo em vermelho" e "O cão dos Baskerville"
Arthur Rimbaud, "Uma temporada no inferno"
Augusto Carvalho Rodriguez dos Anjos, "Eu"
Bram Stoker, "Drácula"
Bryon, "Poesias", "Horas de Ócio", "Don Juan"
Cecília Meireles, "Cânticos", "Crônicas de Viagem" e "Espectros"
Chamisso, Hoffmann, Gogol, Andersen, "Contos dos homens sem sombra" (Coletânia)
Charles Baudelaire, "Flores do mal", "Paraísos Artificiais"
Charles Dickens, "David Copperfield", "O abismo"
Charles Maturin, "Melmoth. O viandante"
Charles Nodier, "Smarra; ou, Os demônios da noite"
Clarice Lispector, "A paixão segundo G.H.", "Perto docoração selvagem", "Laços de família", e todos os outros
Daniel Defoe, "Contos de Fantasmas", "Um diário do ano da peste"
Dante Allighiere, "A divina comédia"
Diderot, "A religiosa"
Donna Tart, "A histó secreta"
Edgar Allan Poe, "O corvo" (poema), "Histórias Extraordinárias"
Emily Bronte, "O morro dos ventos uivantes"
Ernst Theodor Amadeus Hoffmann, "Contos fantásticos", "O pequeno Zacarias chamado Cinábrio", "Contos sinistros", "Irmã Mônica"
Eurípedes, "Medéia"
. Música Gótica
Gothic Music: O lado obscuro do pós-punk.
No final dos anos 70 e início dos anos 80, a raiva e a agressividde que incendiavam o movimento punk começam a ceder lugar a uma profunda depressão e um sentimento de insatisação de um lado e falta de perspectiva do outro. Na Inglaterra, Margareth Tatcher assume o poder, triplica-se o desemprego e aumenta a inflação. Este é o cenário triste da chamada década perdida.
Nas paradas musicais domina a pose, o glamour do pop inglês e da dance music com seus artistas poseurs e cintilantes.
Entretanto algo estava para acontecer em uma cidadezinha chamada Manchester, onde havia muita gente morando em subúrbios cinzentos recusando-se a enterrar o legado punk, e achando que aquele pop poseur tinha muito pouco a ver com a vida real na Inglaterra.
E é na mesma Manchester que surge o porta voz ideal destes angustiados de quarto, na figura de Ian Curtis, um dos primeiros a transformar toda essa melancolia e desilusão em música, através da sua banda Joy Division, que apesar da curta duração devido ao suicídio de Ian, seu vocalista, deixou como legado o rock mais melancólico e desesperado já feito. Sendo uma das bandas mais representativas do movimento pós-punk, como ficou conhecido este substilo musical do rock, que apresentava elementos musicais do punk mas com uma dose de melancolia mais acentuada. E é dentro do pós-punk que encontramos as mais representativas bandas do chamado estilo gótico, que no Brasil também foi chamado de dark, devido a preferência por roupas pretas de seus adeptos.
É nos anos 80 que a morte será o tema mais recorrente nas canções pop, sendo igualmente comuns temas como melancolia, desespero, abandono, decepções amorosas e falta de perspectivas. Estes temas estarão presentes nas músicas de um certo grupo suburbano de Crowley, Sussex, Inglaterra; chamado The Cure, cujo vocalista Robert Smith com seu jeito soluçante de cantar, cabelos desgrenhados e olhos pintados de preto, fez a alegria dos cultuadores de "deprê" em canções como One hundred years, The hanging garden e Siamese Twins, atingindo seu climax "noir" no disco Pornography de 1982.
Entretanto a cristalização do gótico em quanto gênero esteve a cargo de um quarteto de Northampton (Inglaterra), que em seu primeiro single desfia loas a um tal Bela Lugosi, famoso vampiro dos anos 30, e cujo vocalista Peter Murphy delirava pesadelos com sua voz soturna sob um baixo pesadão e efeitos macabros de guitarra; falando de temas como morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos.
A voz igualmente soturna de Andrew Aldritch foi o selo definitivo de movimento gótico, sendo seu grupo, The Sister of Mercy considerado, com toda razão, o maior representante do gênero. Não se pode também esquecer as musas, pra ser mais exato duas musas, madrinhas, divas e rainhas máximas do gótico: Siouxsie Sioux e Anja Howe.
Comecemos por Siouxsie Sioux, a Bruxa madrinha de uma geração de cabelos arrepiantes, com seu estilo misto de diva dos anos 20 e de prostituta nos seus belos olhos extremamente maquiados. Siouxsie e seus banshees eram majestades únicas do reinado gótico. Guitarras distorcidas, batida tribal, harmonias fluidas e climas mórbidos se traduziam em pérolas como A Kiss in the Dreamhouse, Kaleidoscope e Nocturne. Siouxsie também foi uma das primeiras cantoras a liderar uma banda mais pesada. Nascidos no movimento punk, Siouxsie & The Banshees souberam fazer a perfeita transição para o gótico, sendo um dos precursores do estilo.
Quanto a sua majestade loira, Anja Howe, a vocalista da banda underground alemã X-Mal Deutschland, pode ser considerada pioneira do estilo gótico na terra de Goethe. Com sua voz inconfundível cheia de alalaôs e anomatopéias, acompanhada de guitarras e baixo linha serra elétrica. Eram também comuns na banda, o uso de recursos eletrônicos, criando sons viajantes que mesclados ao vocal sedutor, criavam texturas delirantes num perfeito clímax lírico-depressivo; levando os mortos vivos à loucura através de obras primas como Incubus Succubus, Tocsin e a maravilhosa Matador.
Seria ainda uma grande injustiça deixar de citar outras bandas igualmente seminais do estilo Gothic e do Darkwave como Clan of Xymox, The Mission, Opera Multi Steel, Poesie Noire, Cult, Switchblade Symphony, Love is Colder than Death... Bem são tantas que fica até difícil citar todas, em mais uma prova do quanto o estilo é prolífico.
No finalzinho da segunda metade da década de 1980, porém, o clima começa a tornar-se inóspito para morcegões e afiliados, e o estilo gótico começa a entrar em decadência, significando o fim de muitos grupos que consagraram o gênero, deixando orfãos e famintos de sangue muitos nosferatus, e fazendo as noites enevoadas de Londres (e porque não as noites garoentas de São Paulo) perder muito de seu charme.
Degeneração da degeneração: No finalzinho dos anos 90 e começo de 2000, surgem bandas de heavy metal que vêem no rock gótico matéria-prima para uma reciclagem e renovação do estilo. Os adeptos do new-metal como o Cradle of Filth (que se denomina black gothic romantic metal), ou do sub gênero Doom tornam a fazer uma parte dos góticos sorrirem de felicidade, e outra parte virar a cara de desprezo.
Resta saber quem tem razão, pois só o tempo dirá, se este renascimento do gótico (se é que ele chegou mesmo a morrer), representará a sua volta e consagração, ou se eregirá o seu definitivo epitáfio... ou talvez nenhuma das alternativas anteriores. Contudo uma coisa é certa. Bela Lugosi's still waiting...
. Pintura Gótica
"Beleza é terror. O que chamamos de belo nos faz tremer. A beleza é áspera e se parece com um extermínio. Ainda assim, é tudo que se quer." - Donna Tartt (A história Secreta)
"O horrível é belo, o belo é horrível." - Shakespeare (Macbeth)
No campo da pintura a influência da arte medieval especialmente do estilo românico e gótico (ao contrário do que foi dito em relação à arquitetura) praticamente não se faz sentir.
A presença da figura humana extremamente estilizada, o plano bidimensional que caracteriza o estilo, tem muito pouco a ver com os elementos iconográficos reverenciados atualmente pela tribo dark ou gótica. A exceção talvez fique por conta das obras de Giotto, sendo este pintor um dos precursores do rompimento com a tradição bizantina; ao dar um tratamento tridimensional às suas obras.
Quanto aos elementos simbólicos da arte medieval, de imaginário fortemente místico, este sim traria alguma influência, principalmente no que se refere ao rico bestiário medieval, ilustrado em especial nas iluminuras que costumavam ornar livros e manuscritos da época e também nos elementos decorativos de palácios e igrejas.
A arte renascentista ao contrário traz uma grande contribuição, presente principalmente nas obras de Hieronymus Bosch, Pieter Bruegel e Dürer. Artistas de apurada técnica e imaginação fértil. O flamengo Bosch demonstra isto muito bem, em sua obra: O jardim das delícias, no triplo painel onde representam-se o paraíso terrestre, o paraíso celestial e o inferno. Uma obra complexa povoada de pequenas figuras e criaturas imaginárias. Bosch seria na concepção de muitos estudiosos da arte, um surrealista antecipado.
Igualmente há influência estética na Arte Barroca que combinava movimentos energéticos, cores intensas e detalhes decorativos com expressiva originalidade e liberdade. O imaginário barroco é extremamente poderoso, expresso em; gestos, fundos sombreados e uso dramático da luz e sombra. As obras apresentam muitas vezes um caráter sombrio, pungente e dramático.
Destaca-se neste estilo artistas como Caravaggio, que em suas obras (principalmente as iniciais) celebrou personagens mundanas e sexualmente ambíguas, além de representar figuras religiosas como simples mortais. Um escândalo para a época.
Outro destaque vai para Jan Vermeer, que possuia uma refinada técnica em trabalhar efeitos de luz e figuras geométricas em seus quadros, como o célebre A rendeira; que tanto excitou a imaginação tresloucada de Dali. Não se pode ainda esquecer um mestre como Rembrandt, que sabia como nenhum outro combinar dramáticos efeitos de luz com sutis efeitos ilusórios, num quase abstracionismo.
Apesar de todos estes estilos e artistas da pintura terem influenciado na estética dos darks ou góticos, nenhuma desses escolas se compara em importância ao Expressionismo, Surrealismo e Modernismo, todas as artes contestadoras e revolucionárias.
Comecemos pelo Expressionismo, a arte do instinto, com sua pintura dramática e subjetiva. É um estilo explosivo, errático, que se fez presente também na literatura, no teatro, na dança e no cinema. Edvard Munch e Van Gogh podem ser considerados artístas ícones do Expresssionismo.
Van Gogh é um artista fundamental do gênero, sua obra apresenta uma explosão de cores intensas e puras, e a presença de formas sinuosas que expressam a energia e a dramaticidade de uma alma atormentada.
O norueguês Edvard Munch, considerado um dos pintores mais radicais e talentosos de sua geração, demonstrou em obras como O Grito, um trabalho inquietante onde a representação pictórica sucumbe às fortes emoções, a tensão e a ansiedade do desepero. Nesta obra em particular; é como se todo o cenário em volta da personagem participasse da excitação aterradora do grito, expressando toda a angústia envolvida na cena.
Outra influência importante é Goya, em sua obra rica de representações misógenas e diabólicas, onde aparecem velhas decrépitas e ameaçadoras, além de feiticeiras que veneram o grande Bode e preparam pratos abomináveis.
Quanto ao Surrealismo, que acima de tudo foi um movimento revolucionário, temos igualmente manifestações não só na pintura, mas também na literatura e no cinema.
O Surrealismo é uma forma de expressão, instintiva, irracional, cuja arma principal era o escândalo. "Seu objetivo principal não era criar um novo movimento pictórico, literário ou até filosófico, mas sim fazer explodir a sociedade, mudar a vida" - (Buñuel).
Entre os artistas que mais se destacaram neste movimento na pintura estão: Picasso e Dali.
Picasso e Dali guardam uma certa semelhança pela fixação que possuiam em relação a mulher (Picasso-Dora Marr, Dali-Gala).
Picasso soube expressar como ninguém o delírio e a monstruosidade da guerra. Em sua obra mais conhecida, Guernica aparecem rostos hediondos, torturados e abjectos, que são na verdade os próprios rostos da guerra e da desgraça provocada pelos nazistas, e eram eles mesmos que atribuiam a obra do próprio Picasso e de outros artistas surrealistas o título de: artistas degenerados.
Dali foi um dos artistas mais delirantes de seu tempo, possuindo uma imaginação fértil, obcessiva e irracional. Criador do método paranóico-crítico, de um estilo e vida exibicionista, nem sua fase Avida Dollars foi capaz de ofuscar sua obra. Poderia ainda citar outras obras, artistas e gêneros, mas prefiro deixá-los com esta pequena amostra da influência da pintura na estética dark. |
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